2 de fevereiro de 2011

- Só será bem sucedidas as pessoas honestas - , diz Domenico de Masi, sociólogo italiando, autor de "O ócio criativo"



Domenico proferiu palestra na Uniasselvi
 O sociólogo italiano, autor de livros revolucionários como “O ócio criativo”, Domenico de Masi, ministrou a palestra “Docência: criatividade e inovação para a geração do século XXI”, ontem, no Teatro Michelangelo, da Uniasselvi em Indaial.

A abertura do evento ficou por conta do Diretor Geral do Grupo UNIASSELVI/FAMEBLU, Marlon J. Tafner, que abordou os temas: capacitação docente, comprometimento de equipe, eventos consagrados do Grupo e também falou sobre a meta para 2011, que é a consagração do Grupo UNIASSELVI como melhor Instituição de ensino de Santa Catarina.

Já o Reitor do Centro Universitário Leonardo da Vinci, Malcon Tafner, ressaltou a importância da educação inovadora.
Domenico de Masi iniciou a palestra falando sobre o ensino das escolas no Brasil, onde as matérias são técnicas ao invés de se voltarem para a música e a literatura, como acontecia na Mesopotâmia, na escola de Platão e Aristóteles.

Outra vertente abordada pelo sociólogo é a definição do purgatório. “Purgatório é a área sindical entre o paraíso e o inferno, entre o céu e a terra.”, explica.
Em relação à educação, De Masi lembra de Leonardo da Vinci, o responsável pela criação da Academia da teoria e da prática. “Leonardo sempre dizia, que não se pode começar a prática sem aprender antes a teoria, elas se completam”, afirma.

Na Sociedade Industrial, para De Masi, os indivíduos estão separados em três classes, divididas pela forma como unem trabalho, estudo e lazer. “É possível trabalhar, se divertir e aprender ao mesmo tempo, este é o ócio criativo”, diz. É a capacidade de desenvolver o intelecto unindo trabalho, estudo e lazer.

Pós-modernidade

De Masi ressalta os valores que serão preservados na pós-modernidade. Assim, na visão do sociólogo a vida do ser humano será conduzida pelos seguintes valores:
Intelectualização – o ser humano só produz por meio do cérebro.
Criatividade – para poder projetar o futuro.
Emotividade – despertar sentimentos
Estética
Individualidade
Subjetividade

Feminização – as mulheres estudam mais do que os homens e por isso se destacarão.
Reestruturação do tempo e do espaço – poder estar em vários lugares ao mesmo tempo, tele trabalhar, tele amar e tele se divertir.
Qualidade de vida – viver bem por maior tempo, usando o ócio criativo. O ser humano dará maior valor à qualidade de vida.
O sociólogo fala ainda sobre a divisão da sociedade entre pessoas digitais e analógicas. “Os digitais são os inovadores, aqueles que têm facilidade com a informática, a tecnologia, os que são otimistas, que gostam do trabalho e do lazer. Já os analógicos, são os conservadores, aqueles que recusam a tecnologia em prol da burocracia, tem medo de doenças e dizem que a época anterior foi melhor”, avalia.
Além disso, De Masi ressaltou que para haver crescimento, os países tem de produzir ideias, como acontece nos países de primeiro mundo. “A hora de trabalho tem um valor muito elevado nos países de primeiro mundo e muito reduzido nos países de terceiro mundo, fazendo com que as fábricas se instalem nos países emergentes”, ressalta. Nesse panorama, a escola tem que formar jovens criadores de ideias.
Daqui até 2020

De Masi menciona pontos da sociedade pós-industrial, que segundo seu pensamento, estão previstos para acontecer até o ano de 2020:

Longevidade – as pessoas viverão bem até os 100 anos.

Os cegos poderão ver por meio de dispositivos.
Todos os automóveis serão híbridos, ecologicamente corretos.

Um chip de computador terá a mesma capacidade do cérebro humano.

Os processadores serão mais potentes que os atuais.
As biotecnologias e o curso de Engenharia Genética serão os mais procurados.

As pessoas serão trabalhadores integrais, impulsionadas pela motivação.

Será criada a farmacologia, onde os sentimentos das pessoas poderão ser modificados ou inibidos.

Serão bem sucedidos somente as pessoas honestas.

A estética será o principal fator competitivo.

A partir dessas características, De Masi menciona como a escola deverá mudar para conseguir acompanhar a sociedade.

Escola para o futuro

Como deve ser a escola no futuro?

O sociólogo faz a comparação entre a sociedade rural, industrial e a pós-industrial. “A sociedade rural era de poucos para poucos, a industrial de poucos para muitos, e a pós-industrial será de muitos para muitos, como já acontece no Bolshoi Brasil”, explica.

Ensinar e gerenciar bem o tempo e o espaço, desenvolver a criatividade, projetar o futuro, dar importância para a estética e para a felicidade humana, praticar a dignidade, a economia solidária, segundo De Masi essas serão as peças fundamentais para a escola do futuro.

Texto: Luana Dallabrida

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