O problema do consumo de drogas no entorno do Parque Vila Germânica é muito complexo. Reportagem feita pelo Jornal de Santa Catarina na semana passada abordou apenas um lado do problema: o comércio da droga e a violência aplicada por traficantes contra os dependentes químicos. Neste artigo o delegado Henrique Stodieck Neto diz que a polícia civil está de mãos atadas pela legislação. E ressalta: o problema da drogatição no local envolve outros fatores, dentre os quais o social.
Sabemos quem são os principais traficantes
Henrique Stodieck Neto
Delegado de Polícia
Com relação às reportagens “Tráfico sob o cartão-postal” (Santa, 29 e 30 de maio) e “Violência ameaça rotinas” (Santa, 31 de maio), considero importante fazer alguns comentários.
A Polícia Civil vem desenvolvendo trabalhos de investigação naquela região já há um bom tempo. Sabemos quem são os principais traficantes daquela área, mas o trabalho investigativo policial é bem mais complexo do que o jornalístico. Para conseguirmos prender estes traficantes, temos que convencer o Judiciário através de fortes indícios de autoria – quem vende – e de materialidade – o que vendem. Não bastam os relatos dos policiais, é preciso que testemunhas prestem depoimentos formais à Polícia. Mas, como bem se pôde comprovar na reportagem, poucos ou ninguém se dispõe a tal.
Outra questão que o jornal deveria explorar diz respeito aos motivos da transformação daquela região numa cracolândia, como a reportagem classificou – apesar de eu não gostar do adjetivo por considerá-lo apelativo e simplista. A Polícia tem feito rondas suficientes no local? O que atrai tantos andarilhos, sem-teto e desempregados àquela região? O que se pode ver é que ali perto há estabelecimentos comerciais – como supermercados, feiras etc – que são a fonte de subsistência destes necessitados, ao lhes fornecer material para reciclagem e comida, sem contar o grande atrativo que é a cozinha comunitária do Padre João Bachmann. Ali, portanto, é uma zona de conforto para estes excluídos, que têm na droga uma forma de fugir da triste realidade em que vivem. E onde houver aglomeração deste pessoal, haverá o traficante.
Dito isto, penso que o trabalho jornalístico foi bem feito, mas pecou em querer descarregar a culpa pelo que ali ocorre nos ombros da Polícia. E isso fica patente quando a reportagem termina com a frase “Mas a polícia, pelo menos por enquanto, permite que ele continue livre”.
Onde estão os serviços sociais para acompanhar estes viciados? E não digo somente os serviços estatais, mas também as ONGs? Até quando a imprensa vai continuar jogando para cima da já sobrecarregada polícia a responsabilidade pela formação e existência das tais cracolândias? A imprensa, tão informada que é, ainda não percebeu que a aplicação do Direito Penal não resolve os problemas sociais?
É obvio ululante que a prisão de todos os traficantes detectados pela reportagem não resolverá o problema do entorno da Vila Germânica. Outros tomarão o espaço, e assim sucessivamente.
A Polícia continuará trabalhando, prendendo sempre as mesmas pessoas, e a imprensa continuará vendendo jornal com as mesmas manchetes








1 comentários:
Anônimo disse...
Muito bem colocado as palavras devido a este problema, e concordo plenamente
que as reportagens poderiam muito bem promover campanhas sociais para ajudar os excluídos não serem mais uma vítima nas mãos destes traficantes que se aproveitam da tristeza e abandono alheio e com isso criando estes pontos de drogas, só a polícia não dá conta mesmo onde esta as ações sociais de inclusão do ser humano em Blumenau?????? Reportagens não procurem culpados do que esta acontecendo e sim nos de alguma forma de solucionar, procurem autoridades de Blumenau pedindo ajuda.
Apenas uma Mãe e cidadã de Blumenau.
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